quinta-feira, setembro 27, 2007

Construção




"Toda a gente vê bem o que pareces, mas bem poucos têm o sentimento do que tu és"

Maquiavel, em O Príncipe

O que se fala sobre você? Ou sobre mim?

Nunca fui muito adepto da "impressão positiva nos cinco primeiros minutos", apesar de continuamente me esforçar em aprimorá-la aos olhos dos outros. Talvez por até então não ter me dado conta do que significava isso.

Em função da leitura de acabo de completar, História do Rosto, de Cortine & Haroche, comecei a observar melhor as "impressões" que observo e que acredito passar aos outros, seja na fala, nas roupas, nos gestos, no tom de voz, nas expressões faciais ou mesmo no silêncio. Consirando esse histórico de mais de 30 anos, concluo que tenho melhorado expressivamente nesse quesito, até por uma questão de sobrevivência, seja no trabalho, seja na vida afetiva.

Fazendo isso, construo uma imagem de mim mesmo nos outros com a qual me identifico. Este com quem interajo é alguém que me vê como eu sou (ou pelo menos alguém que se esforça em ser o que é para o outro).

Por essas e tantas outras que o contato com o passado me assusta. Quem é esse que conheci no passado e que não me reconhece mais? Quem é esse que usa da linguagem para esboçar comentários deslocados do que talvez tivesse "construido de mim mesmo" no passado, mas que não me identifico mais? Quem é esse que julga me conhecer há tempos, mas não sabe quem eu sou?

Tar, em crise com a lista de casamento.

1 Comments:

At 1:06 PM, Blogger Maria Helena said...

Tarcisio,
As chamadas "panelinhas" nada mais são do que pessoas que identificam-se entre si. Por acaso nós, humanos
e mortais.
A natureza é sábia e nos seleciona.
Desencana
Bjs

 

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