segunda-feira, fevereiro 22, 2010

3º dia - 28 de janeiro de 2010 - Havana

Obra na entrada do Museu Nacional de Belas Artes de Havana

Conheci logo de manhã uma pessoa fantástica, a Ivete, advogada que trabalha como diarista na casa da Angela a fim de aumentar sua renda familiar.

Com ela, entendi um pouco melhor o modo de vida do cubano que vive paralelo à divisa. É uma vida simples e de muita criatividade. Ivete tinha muitos hobbies que fazia ou como distração ou como forma de economizar de alguma forma. Ela talhava madeira, cozinhava, pintava e costurava suas próprias roupas e de sua família. Ela dizia que costurar lhe saia muito mais barato e conseguia roupas de melhor qualidade do que as vendidas nas "tiendas" (lojas em que a mercadorias são vendidas em CUC). Seu sonho era ter uma bicicleta e aos poucos estava juntando as peças para um dia poder montá-la. Dizia que estava quase conseguindo comprar os pneus. Na vida de um cubano, sonhos com bens materiais são pequenos como esse.

Ivete

Também com ela aprendi o jeito de pegar o ônibus local pagando 0,40 centavos em moeda nacional. Ela e o Javier, o irmão do Henrique, acabaram me dando algumas moedas para que eu pudesse pegar o ônibus. Sabiam, como eu, que minha condição de turista fazia com que meu acesso à elas ficasse restrito.

Uma forma singela de agradecer os dias de conversa saborosa foi oferecer um brinquedo ao filho dela (um carrinho Hot Wheels). Levei algumas caixas de lápis de cor para as meninas e carrinhos de metal para os meninos para Cuba. Distribui todos. Se um dia for até lá, faça isso. Você ganhará muitos amigos.

Do ônibus, lotado, mas de trajeto rápido, saltei em frente ao Capitólio. O prédio mais imponente de Havana. A decoração é requintadas, lustres, pinturas e a terceira maior escultura interna do mundo (A República). O Capitólio era a antiga sede do congresso nacional e abriga também ainda hoje uma linda e alta biblioteca.


Fachado do Capitólio



Detalhe da fachada do Capitólio.


A estátua "A República" do Capitólio, com 17 m de altura e 49 toneladas



Biblioteca do Capitólio



Salón de dos Pasos Perdidos

Visitei também o Museu da Cidade, localizado no Palacio de los Capitanes Generales. O museu é um composto da história de Havana e de Cuba. Haviam salas com o mobiliário da época da colonização, salas com artistas e a sala das bandeiras usadas durante a independência da Espanha. Era possível entender a história de Cuba desde a época colonial, passando pela guerra de independência (final do século XIX), o período de intervenção americano e, é claro, a revolução, esta sempre presente.



O nada discreto charme da aristocria espanhosa

No museu, fiquei encantado com a preparação das atendentes para discorrer sobre os assuntos expostos em suas salas, particularmente a sala com alguns restos do cruzador Maine, dos Estados Unidos. A explicação da atendente sobre a maneira como o país usou da independência espanhola como forma de exercer influência sobre a ilha ficou muito clara com a presença daquelas peças e documentos.

Outro fato curioso do museu foi o fato das mesmas atendentes discretamente perguntarem se eu carregava balinhas (caramelos) comigo. A frase que escutei, depois de de distribuir alguns Mentos de canela, foi: "Precisamos de algo para adoçar a boca, já que a vida anda um pouco dura". E assim eram os museus. Tudo aparentemente organizado, mas as fissuras do sistema apareciam mesmo ali.

No mesmo museu, um casal de pavões vivos decorava o ambientes.


Museu da Cidade. Pavões como decoração.



Na parte do Museu de Belas Artes que contemplava a arte mundial, era vísivel a falta de recurso de alguns ambientes, apesar do cuidado com as peças e a manutenção do que era possível. Alguns objetos greco-romanos estamos quase às escuras, por um motivo simples: faltavam as luzinhas que iluminariam as peças.



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