quarta-feira, dezembro 03, 2008

Dilúvio

E enquanto eu esperava meu capuccino no SESC, a moça, que o preparava, dizia.

E em Santa Catarina está tudo embaixo d´água.

Culpa do homem, um dia isso ia acontecer e está acontecendo.

E eu, a fim de dar fim na conversa, apenas concordava... "pois é"...

E finalmente peguei o capuccino. Sentei para tomá-lo e enquanto mexia sua forma líquida e marrom, pensava no apocalipse.

Fantástico o texto do Marcelo Coelho hoje na Folha. Ele faz uma brilhante mistura da crise financeira, consumo desenfreado e as enchentes dos sul (em particular, uma foto, a das pessoas invadindo o supermercado, nadando entre as mercadorias).

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2 Comments:

At 10:48 PM, Anonymous Flavia said...

Pena que o texto é restrito a assinantes, mas dá pra entender o que vc diz só pelo post sobre o texto (bom, mas não sei o que tem a ver a crise + consumismo com a enchente, mas dava pra brincar de fazer hipóteses, pois a poluição meche com o clima, o lixo entope engotos, a malha urbana cobre o solo, detona florestas, enfim...)

Já assistiu o documentario chamado Corporations? Tem tudo a ver. Concordo com o apocaliptico. Aliás, um dos livros que despertou uma idéia sociologica que estou usando pra analisar (sem dados, digo, uma forma de observar ações apenas, com imaginação sociológica para colocar no lugar dos dados que não tenho) ... pra observar tanto ONGs quanto blogs é sobre as visãoes do apocalipse ecológico, o livro chama Risk and Culture, um porre da sociologia nortiamericana, mas bem útil ;)

 
At 3:49 PM, Anonymous Flavia said...

Tar, você deve ter recebido por pingback, se não, taí, a primeira frase do texto do Marcelo Coelho que você me indicou me fez parar por ai, fiquei pensando: ele começou com o conto do cara que morreu pisoteado, e no entanto, mesmo com essa posição de destaque, começando o texto, essa morte parece tão banalizada... abri o word e comecei a escrever um conto (mas não conta pra ninguém que o cara foi pisoteado: pro Paulo houve uma explosão, achei legal também, do ponto de vista das interpretações, e é atual). Publiquei no Algodão. Então faltava só vim te agradecer.
Ainda assim, descobri a minha banalização da coisa, pois em meio a estar escrevendo o conto, o Paulo me convidou para ir ao supermercado. Eu pensei: legal - posso perguntar pro povo que trabalha lá quanto tempo eles chegam antes de abrirem o supermercado. Ia usar isso no conto. O Paulo tava so sabendo que eu tinha um início de conto e que era sobre supermercados. Perguntei perguntas indiretas à caixa: que hora abre? que horas vocês chegam?
Na volta, o Paulo falou: depois faz uma cópia pra daar pra eles do supermercado (é um super-mercadinho de visinhança, onde todos se conhecem de vista). Daí a bomba de adrenalina que atingiu Juan também me atingiu: imagina o que seria ler esse conto sendo alguém que é Juan. Foda.

 

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