domingo, outubro 29, 2006

Quarto Vazio



Achei que ia ser um final de semana normal. Visita à casa dos meus pais e votação. E até que foi, com exceção do detalhe do quarto.

Chegando lá, o costumeiro beijo na mãe, malas esparradas por algum canto da sala e finalmente a vistoria básica no quarto. Chego lá e pimba, cadê o quarto? Meu velho e bom quarto de dormir havia se transformado em uma sala vazia, sem nada nas paredes e com um armário vazio no meio.

Explico. A casa está em reforma. Eu sabia disso. O que eu não sabia é que o meu quarto seria "atingido" antes que eu passasse por lá. Mas foi. Todas as minhas coisas haviam sido retiradas e colocadas por algum outro canto da casa. Algumas "pérolas" já esperavam um fim pior na boca do lixo, queriam meu aval. Entre as pérolas havia um display em tamanho natural da Sula Miranda, outro do Ronald Mc Donalds (esse é mais bonito, pintado sobre um tipo de prensado, o outro é de papelão), um cone da SABESP laranja, um banner escrito "São João da Boa Vista - qualidade de vida" e alguns dos vários poster que cobriam a parede.

Olhei para tudo aquilo. Achei estranho meu quarto vazio. Achei mais estranho saber que ele não vai mais voltar a ser como era antes, com essa grande coleção de pequanas coisa que fui coletando ao longo da juventude e colocando lá em algum canto. Ainda vou jogar muitas coisas fora e talvez registre alguma coisa lá no blog de uma amiga minha que tem esse intuito.

Ao mesmo tempo, não sinto pena nem nostalgia dessas coisas que vão pro lixo. De alguma forma, é minha juventude irresponsável que também vai. Passa pela minha cara e encontra o lixo finalmente. Jogo fora algumas lembranças, mas permanece o homem em eterna construção que usou daquelas coisas como uma experiência. Excelente experiência, aliás, dos 20 e tantos anos bem vividos, divertidos como nunca.

O corpo maduro permanece, o quarto desconstruído vai em parte para o lixo. No final da reforma terei um quarto menos meu, mais adulto. Permanecem as histórias incríveis de como alguns daqueles objetos foram parar no quarto. Estava construindo uma estória e nem percebi. E agora ela vai pro lixo. E no lixo, talvez encontra a resposta de eu não ter achado nenhum outro lugar melhor para aquelas coisas senão o lixo. Pois não é no lixo que devo me apegar, mas sim em tudo que fui construindo até aqui. O que sou hoje. O que virei a ser.

Adeus quarto velho, feliz quarto novo.

4 Comments:

At 8:14 AM, Blogger Vivien said...

Tarcísio,isso ainda faz parte do processo de cortar o cordão umbilical. E vou dizer a mesma coisa que disse quando vc tinha o outro blog "hoje joguei tanta coisa fora, cartas e fotografias, gente que foi embora...a vida fica bem melhor assim."
bj pra vc e pra Cláudia.

 
At 11:46 PM, Blogger elkinha said...

às vezes é preciso jogar no lixo, às vezes a gente pode reciclar!

=T

 
At 9:43 AM, Anonymous Anônimo said...

nesses dois ultimos anos descobri que a gente so compra e ou retem coisas desnecessarias quando o espaco - mais especificamente, a casa dos pais - permite. hoje penso duas, tres, quatro vezes antes de comprar qualquer coisa e nao hesito em jogar coisa fora rapidinho. sem mais aquela de "ah, mas e se um dia eu precisar?". quando voce se livra do objeto potencialmente inutil logo de cara, voce nao da chance para o surgimento de qualquer laco "emocional" com ele e o apego se volta para as coisas que ficam e nao podem ser jogadas fora: no momento, so os livros e os moveis. thank god pelo computador que solucionou o problema de espaco para fotografias e escritos...

 
At 10:02 PM, Blogger gris-gris said...

eu tb vou doar, no natal, como a nara, os meus ultimos bichos de pelucia. vou ficar so com um ou dois. e meu quarto na casa da minha mae nao demorou nadinha, nem 4 dias, pra se tranformar em outra coisa. hehehehe....
bjos,
cris.

 

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